Moonspell - Campo Pequeno - XX anos de Irreligious







Entra-se sob o feitiço da Lua como se de um bosque se tratasse - de mansinho, devagar, pisando cada graveto num chão quase virgem e inóspito, percorrendo carreiros líricos, onde os sons se misturam como num amanhecer de inverno de um orvalho gelado que se cola aos ossos, enquanto o vento corta cruel a pele que se encolhe a cada vergastada gutural de uma voz que se agiganta em cada palavra que enobrece os espiritos.



Dia 04 de Fevereiro de 2016 em Lisboa chegou agreste, com travo a Inverno mas com um calor que invadia o coração de quatro mil almas no espaço onde se iriam celebrar XX anos do lançamento do 2º album de originais dos Moonspell - Irreligious, feito então no Convento do Beato com a participação do canal de televisão alemão Viva. Com um publico pleno de heterogeneidade em termos de idades o recinto encontrava-se composto. A ânsia corria breve nos olhares daqueles que ontem eram apenas filhos e hoje são pais que trazem os seus petizes a celebrar.

Esperava-se, como anunciado a performance de três álbuns, começando em Wolfheart, Irreligious e por fim Extinct.



Pouco depois das 22h um palco dominado por uma gigante Lua com alguns archotes acolhia os magníficos senhores da noite - os Moonspell. O publico vibrava com o desfile de tão imponente performance com Fernando Ribeiro em constante contacto com a alcateia que se estendia a seus pés.
As variações dentro de cada musica foram sóbrias e muito bem conseguidas. Recordar Of Dream And Drama, Lua d Inverno, Vampiria ou Alma Mater era apenas algo estrondoso e a simbiose conseguida de e para o palco tornava-se avassaladora a cada acorde, palavra, efeito visual ou pirotécnico a perfeição estava ali.

Há a destacar os negros vultos que são as Crystal Mountain Singers que trazem um brilho pungente num palco já bem preenchido por tão generosos músicos.



O dom da palavra era celebrado pelo lirismo emanado do primeiro long play e o publico estava rendido e quiçá algo esmagado pelo gigantismo que preponderava vindo do palco.



Com o merecido descanso o olho de Horus era mostrado num novo cenário e chegávamos ao que ali nos trazia de forma verdadeira.  Desde Opium, aos modelos extropiados de Ruin & Misery, passando por um gosto de eternidade , celebrando Mephisto ou sendo levado ao êxtase num homem espelho e sendo agarrado pelo coração nas garras de um corvo onde Mariangela Demurtas demonstrou um entrosamento na banda nada estranho com Ricardo Amorim á espreita e terminando no caminho da loucura da lua cheia, foram momentos amplamente celebrados e bem trabalhados ao nível de um dress code proprio, suporte de luzes exuberante, pirotecnia abundante e controlada bem como lasers que saíram das mãos do mestre de cerimonias e desafiando os demais a olharem-nos nos olhos a fim de se deixarem seduzir ...


Extinct surgiu de forma natural em direção á reta final numa noite que corria rápido a um destino de uma raça em extinção. Carolina Torres surgiu em palco também com o intuito de "degolar" a banda de espada em punho. Toda a linha musical percorrida de fio a pavio sem mácula, com uma entrega impar, com paixão com chamadas de atenção pontuais ao presente com um olhar no futuro que se afigura negro.


De realçar que em cada "intervalo" a banda de musica medieval Cornalusa atuou entretendo as hostes de uma forma eficaz e trazendo á boca do palco algumas versões dos senhores da noite.


Parabéns aos Moonspell por uma magnifica noite de celebração e parabéns aos fãs que são uns privilegiados por terem quem lhes dê voz.


Aguardamos o novo trabalho para o fim do corrente ano versando sobre um negro episódio da História de Portugal bem como tendo a inovação de ser na lingua mãe.




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