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Dos mais sós dos sós 

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A expressão dos abandonados da vida não consegue ser reproduzida  Cada olhar quebrado e cansado com o peso do mundo aos ombros, inexpressivos, sós, numa dolorosa solidão esquecida por todos, frases que jorram sem sentido ou silêncios que se perpetuam sem nada para dizer com a alma em ânsias de algo expressar. A cor macilenta da pele, os cabelos em desalinho, as vozes turvas, as discussões impróprias, as horas marcadas pela rotina da refeição e de um vazio que embate no peito e deixa prostrada qualquer alma que por ali se cruze. Pelo respeito, pelo amor em falta, pelo abandono de família e amigos, tantos são os que pairam nos corredores desolados ... Não fazemos a mínima noção do que é viver numa instituição psiquiátrica. Também aí a sorte pode ditar lei pelo facto de ter ou não uma equipe de profissionais á altura. Vivemos tanto na nossa concha que nos esquecemos dos sós dos mais sós - aqueles que nem sabem que existem, aqueles doentes que estão internados ou institucio...

Reticências 

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Por estes dias de desencontro e ansiedade, que teimosamente desfiaste a vida e que quase perdeste, tudo entrou em pausa. A casa está vazia sem o teu sorriso, a tua alegria, o teu exuberante estar, o teu dedo e olhar clínico. A vida encontra se em tons de uma dor que desatina, pois o reencontro não acontece. A desorientação instalou se e os objetivos ficam esses também intermitentes . Não sabemos nada do amanhã. Normalmente temos uma ideia...e o que é normal? Será que esta constante incerteza passou a normalidade, ou o correr dos dias era uma anormalidade de facto.? As dúvidas instalam se, os sonhos param, os sorrisos desapareceram, o temor da novidade corre nas veias em cada telefonema. Recordo o teu rosto naquela manhã, naquele maldito dia em que com olhar perdido mas com a certeza do erro me brindaste com uma novidade cruel como punhal e onde o meu peito ficou aberto e a alma caiu estatelada num desamparo e num grito mudo . Quedei-me em silêncio por instantes sem ter percebi...

Nesses longos dias

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Nos longos dias da tua ausência, em que as lágrimas nos mergulham em negrume, num vazio que nos queima a alma e perpétua a possibilidade de uma perversa dor que corroi interiormente, espelhando no rosto o tumulto que nos assola. Nos longos dias da tua ausência, em que o astro rei nos banha de luz, e em que nos escondemos sob negras cortinas, a saudade aperta porque te encontras em parte incerta, porque te perdeste, e nos perdemos numa brevidade que se mantém. Nos longos dias da tua ausência, o coração aperta em cada esgar de dor que cobre o teu rosto, e me aperta a garganta como um cruel punho que asfixia sem ceder. Nos longos dias da tua ausência, o sangue torna-se em agua negra que vai e vem em cada ribombar, e nos cobre o olhar de uma solidão de treva. Nesses longos dias em que não estás, ardentemente desejo que regresses de vez, que estes negros dias se transformem numa curta neblina e que o astro rei breve nos aque...

Ozymandias

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I met a traveller from an antique land, Who said—“Two vast and trunkless legs of stone Stand in the desert. . . . Near them, on the sand, Half sunk a shattered visage lies, whose frown, And wrinkled lip, and sneer of cold command, Tell that its sculptor well those passions read Which yet survive, stamped on these lifeless things, The hand that mocked them, and the heart that fed; And on the pedestal, these words appear: My name is Ozymandias Ozymandias Pharaoh Rameses II (reigned 1279-1213 BCE). According to the OED , the statue was once 57 feet tall. , King of Kings; Look on my Works, ye Mighty, and despair! Nothing beside remains. Round the decay Of that colossal Wreck, boundless and bare The lone and level sands stretch far away Percy Bysshe Shelley

Vidas Suspensas - Alienação Parental

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Há dias via na SIC o Programa Vidas Suspensas que abordava mais uma vez o tema Alienação Parental e mais uma vez levei um soco no estomago. Regressava a poucos anos atrás ao ver aquela reportagem – um miúdo adotado com 8 anos envolto num processo de divórcio manipulado por uma mãe cruel, fria e calculista que transformou a cabeça de uma criança emocionalmente frágil numa amalgama de maus pensamentos acerca do pai que aparentemente (naquele caso) se dedicou ao filho, lhe proporcionou bons momentos, que o procurou e que foi acusado de perseguir a mãe para poder dizer ao filho – PRESENTE, o pai está presente. Também eu já vivi situação semelhante e em nome da minha sanidade mental e estabilidade financeira e vida particular, tive que largar amarras e deixar a criança que adotei para trás, pois quando me separei da mãe do João fui intitulado em casa dela de o “filho da puta do teu pai” e todo um processo de desconstrução / destruição da minha imagem perante o grande herói...

Parabéns ao meu Benfica

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Caverna

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Que teias se montam por sobre o Homem? Que enredo se perturba pela indiferença que perdura? Que solidão de penumbra, faz uma vela se acender ao vento? Quantas noites não dormidas em sobressalto se constroem na duvida? Quantas cobertas se amortalham nos corpos daqueles que nada esperam? Que olhares se cruzam com a negritude ? Quanta interrogação faz parar? Em que se perturba o mecanicismo dos dias? … Que quebras são necessárias para parar e olhar, ver e reparar? Quais as lutas que se consideram justas? Nascerá um sol um dia? Estará o astro rei perdido numa fase quântica? Perdurará a dor? Durará por quanto tempo a dúvida da existência? Estancaremos a tempo o sangramento voraz dos dias? Irromperão as lutas e as revoltas como incandescência caindo dos céus? Passaremos á caverna?